24.2.08

Correspondentes

Uma amiga me indicou um projeto muito interessante, e achei que alguma das pessoas que passam por aqui também aprovariam a idéia.

O Projeto Correspondentes pretende desenvolver a troca de experiências entre os seus beneficiados (crianças e adolescentes que vivem em abrigos) e voluntários através de correspondências (cartas, não e-mails). De carona, estaremos ajudando-os na reflexão e no desenvolvimento da escrita. Para participar, basta fazer um cadastro e assinar um termo de compromisso se responsabilizando em responder as correspondências recebidas num prazo máximo de 20 dias. O período para cumprimento da responsabilidade de 'adoção' é de 1 ano.

Eu gosto mesmo desse tipo de iniciativa. Tenho o costume de montar sacolinhas de Natal, e esse projeto é uma maneira de estender minha forma de ajudar por todo o ano. Acho isso muito mais válido do que pegar uma criança em um orfanato para passar o Natal com uma família, e depois deixá-la no esquecimento.

E fica um pedido: se você gosta da idéia e tem como divulgá-la através de um e-mail ou um post no seu blog, sendo o caso, faça isso. Teria um valor igual, ou ainda maior, que adotar alguém do projeto. ;)

17.2.08

Reconhecimento

Dois pontos
Eu sou medíocre. Medíocre como a maior parte das pessoas. No entanto, reconheço isso. E aceito, e fico no meu cantinho, e tomo todo o cuidado com a inclinação, natural e humana, ao poser. E até por ser humana e medíocre, e saber disso e blablabla, há uma certa facilidade em reconhecer isso nos outros. Cá para nós, que porre. QUE PORRE. Eu não tenho paciência, não. E sinto toda a saudade da singeleza da minha família, e das pessoas com quem eu convivia há um tempo atrás e que não fazem mais parte do meu cotidiano, totalmente autênticas na própria e santa ignorância.

Isso me lembra Frank Abgnale, do 'Prenda-me se for capaz', que se passando por médico e diante do primeiro paciente pergunta aos residentes qual a opinião deles sobre o assunto. Com toda a pose do universo, e sem a menor noção do problema e do significado das opiniões, ele olha com aquele ar de entendido e responde 'Concordo, façamos isso!' . É...

O que me mata, além de ver pessoas que gosto fascinadas com o pedestal que elas criam diante de um assunto inútil qualquer, e vê-las falando um bando de baboseiras sem parar, é saber que tenho que engolir seco reuniões intermináveis com os maiores posers do universo - e essa foi a hipérbole melhor aplicada ao mundo corporativo já utilizada.

Tudo o que não quero na vida é me tornar algo do tipo. Preciso tomar cuidado.

4.2.08

Filho de peixe?

Me lembro agora da Luzia me dizendo que meu espírito maternal era minha força e minha fraqueza, e que isso era tão claro aos outros que as pessoas, mesmo que inconscientemente, se aproveitavam de mim e me manipulavam descaradamente. E daí essas palavras martelam na minha cabeça e eu me sinto uma completa idiota.
De vez em quando penso que quando reclamo do espírito machista da minha mãe, posso estar me fazendo de vítima. E nesses dias conversava com meus irmãos, que confirmavam isso: minha mãe me explorou tanto me fazendo acreditar que eu devia aceitar o destino por ser mulher, que se eu acreditasse nisso talvez estivesse com 6 filhos grudados na minha saia, pesando 6 vezes o meu peso e, pior, estaria feliz e conformada com isso. Em contrapartida, mimou tanto aos meus irmãos que eles não conseguem andar com as próprias pernas. Mesmo ouvindo isso da boca do meu irmão mais velho, ainda acho que estou sendo injusta por pensar assim, e que talvez esteja mendigando atenção.
Mas daí vejo que fiz um empréstimo bancário que foi para o ralo em 2 dias, para que somente eu me doesse com isso. Tentei ficar brava com o caçula, mas não consigo. A culpa, mesmo, é daquela mulher que amo MAS que me machuca por não enxergar que estraga a própria cria. Enquanto minha irmã e melhor amiga senta do meu lado e diz 'é foda, você não deveria se importar e nem se esforçar mais', o caçula vê um filme e minha mãe conversa e ri ao lado. Como se nada tivesse acontecido. Na verdade, nada diferente aconteceu: é isso que me emputece.
É foda.

14.1.08

'Baixo calão'

Depois de montar um relatório de 90 páginas, estou enfim passando o corretor ortográfico para poder anexar as imagens e me livrar desse perrengue. Mas é como sempre digo: melhor confiar no meu português mesmo. Tem coisas que só a microsoft faz por você. Viva a diversidade!

(se não consegue ver, clique na imagem para ampliá-la)

Depois de rir sem parar por 10 minutos, refleti sobre algo importante: nunca, jamais fique clicando em 'Alterar' sem prestar atenção no que ele sugere, É SÉRIO!



12.1.08

Gênese de pensamentos

Eu escutaria 'The Wedding Samba' até cair se tivesse escolhido a época em que nasceria. Mas não, sou uma workaholic na madrugada de um sábado, sentindo saudades do trabalho concluído (que eu maldizia ainda nessa semana). Um filme? Não, a TV me cansa. Poderia terminar meu livro (um bom livro é sempre uma excelente opção) mas a cabeça está cheia e quero ter olhos somente para ele quando folhear as últimas páginas: estou com medo de chegar ao fim e não ter mais sua companhia. 'Medo de chegar ao fim e não ter mais sua companhia'. O fim dos bons livros são como finais de relacionamentos: doem tanto! Me espanto quando me remeto aos 18 anos: sinto a dor que senti naqueles dias, quando ele me dizia que havia encontrado outra pessoa. Havia pouco ele me pedia para ter um filho dele! A adolescência tem um grau de insanidade, fruto da imaturidade, que é perigoso. E o ex-namoradinho vai ser pai em poucos meses. Ele deve estar feliz, queria ter visto sua alegria quando soube da notícia. Tem o boato que se separou da mulher pois ela queria filhos e ele não, e 6 meses depois já estava com outra mulher, esperando um filho. Até ele vai ser pai! Pai... o que dizer do sujeito cujo filho foi visitá-lo no dia da paz universal, quando voltava de uma viagem de 7 horas, desviando o carro na estrada e viajando duas horas a mais no sentido contrário de seu destino para dar um abraço-de- feliz-ano-novo, mas ouviu pelo interfone 'não vou atendê-lo, já é muito tarde: volte outro dia'? Aquelas atitudes difíceis que tomei, por mais dolorosas que tenham sido, me libertaram profundamente e me pouparam de situações assim. Pelo mesmo motivo a ex-roomate saiu de sua casa. No caso dela, ela ficou feliz e quem sofreu fui eu. Naqueles dias pensei que a pior coisa que podia ter feito foi ter saído de casa. Mas com o tempo - que coisa! - aquilo se tornou a melhor experiência da minha vida. Saudade. Acho que por isso meu coração borbulha quando meus amigos me dão a notícia de estarem indo para um canto deles. Me dou conta agora de quantos farão isso em breve, o que dá um destino nobre para a partilha de todas as minhas experiências, de lavar a roupa à traçar um destino cultural de uma pessoa só. Vontade incontrolável de andar na Paulista sem rumo, durante a noite, vendo as figuras ímpares. Era o que eu fazia muitas vezes. Mas chove, certamente não faria isso hoje se estivesse na Rocha. Provavelmente abriria um vinho, ficaria no escuro da sala ouvindo a chuva se mixando com a trilha sonora escolhida. Hoje, seria Genesis. Quando chove ou faz frio, geralmente é Genesis. Começaria com Carpet Crawlers, e imaginaria os serezinhos rastejando... na chuva! A chuva me encanta. E, na Rocha ou na colina, não há melhor programa. Vinho e música. Vou lá.

8.1.08

1908

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08 de janeiro de 1908

Nada mudou, mas cheguei às minhas conclusões. Se meu hoje retrocedesse 7 anos, saberia o que fazer. E toda a dor e indignação por meus atos, agora, não fariam sentido. Mas há 7 anos eu não sabia. Eu não conhecia, eu não permitia, eu não
vivia. E com um repertório tão insignificante eu simplesmente não poderia saber como fazer. Eu me perdôo: a vida não é uma experiência e não há depois, não há 'da próxima vez'. Cada fato tem seu início, meio e fim, ainda que retornemos a algo semelhante. A vida é única. E eu... Eu escrevi meu próprio romance antes de descobrir a mim mesma, e como saberia? Não havia vislumbrado os espelhos aos quais me atentei nos últimos anos: as histórias que ouvi, os livros que li, as pessoas que conheci - fragmentos que me possibilitaram vislumbrar a vida que não me permiti e quem eu realmente sou (seria?).
Então hoje, agora, me resta prosseguir arrastando-me na lama onde me joguei. A lama é o lar das pessoas que concebem a felicidade como sendo um eterno estado de inércia. E eu sei disso, mas o caminho de volta é longo demais e numa única vida não haveria tempo de retroceder. Parada, afundo. E isso, hoje, não quero. Prossigo pois talvez chegue noutra margem, talvez encontre outro fato para viver, dessa vez guiada por uma seta formada pelos fragmentos que reuní e que formam o mosaico que sou EU. Quando as pernas não conseguirem mais e não houver margem no horizonte, talvez desista. Talvez, afunde. Mas apenas não havendo forças nas pernas e possibilidade de margem no horizonte.
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28.12.07

Machismo

- Pôxa, Théo! Não sabia que você era assim!
- Já falei que mulher minha não usa essas coisas!
- Mas é tão comum... Você deveria estar habituado, sabia?
- Habituado? Você é louca? Não tem como se habituar com isso!
- Você não acha que é machista não?
- Não é questão de machismo! É que isso é vergonhoso, não sei de homem que deixa a mulher usar esse tipo de roupa. Não, e ponto!
- Acho mesmo o fim não usar o que me deixa à vontade, e vou ficar vestida dessa forma e azar o seu se achar ruim!
- Nani, já falei: se deitar na cama com essa calcinha bege eu vou brochar!